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JOÃO GRILO
Também chamado de "Amarelinho" no nordeste do Brasil, João Grilo é uma variante do popular Pedro Malasartes. Uma referência antiga é o folheto de cordel "Proezas de João Grilo", escrito por João Ferreira de Lima, editado por João Martins do Athayde. No divulgadíssimo folheto "A VIda de Cancão de Fogo e o seu Testamento", de autoria de Leandro Gomes de Barros, na página 3, lemos a descrição do personagem: "O corpo muito franzino/ e muito pouco comia/ viva sempre pensando/ de noite pouco dormia/ não confiava em ninguém/ e nem contava o que via". Considera o sr. João José da Silva, proprietário da "Folhetaria Luzeiro do Norte", o folheto "As Proezas de João Grilo", como o "rei" dos livros cômicos, calculando já ter sido editado para mais de  cem mil exemplares (1955).A razão da grande aceitação do folheto "Proezas de João Grilo" é não só a semelhança do físico, enganando com estratagemas os poderosos. E há ainda uma observação a fazer: os trabalhadores de engenho ou usina preferem as histórias de "amarelinhos" às de "sertanejos valentes". Estão acostumados desde muitas gerações à subordinação, ao mando dos senhores de engenho; não acreditam que os fatos narrados nos folhetos a respeito de "sertanejos valentes" desacatando senhores de engenho, desmoralizando os vigias, casando com as filhas dos senhores de engenho, pela força, pela valentia, possam vir a suceder. Olham sempre para os sertanejos, representados pelos "retirantes", com certa desconfiança e animosidade. E mesmo os sertanejos que eles conhecem pessoalmente nao se identificam com os heróis valentes dos folhetos. São sertanejos que chegam aos engenhos amargando o drama das "retiradas", impelidos pela seca, esmulambados, esqueléticos, calejados de tanto sofiimento, sem nada reclamar, resignados. Portanto nao agrada aos trabalhadores de engenho ou usina ouvir historias de sertanejos praticando feitos que eles se julgam incapazes de realizar pela força. E o "amarelinho" vence pela astúcia, pela sabedoria. Quantos não ficam felizes, libertos dos recalques, da agressividade, quando ouvem as proezas dos "amarelinhos", vencendo e conquistando posições de um destaque extraordinario? Constitui uma satisfação ver um semelhante de corpo alcançar as vitórias que desejariam alcançar. Ao terminar a leitura do folheto, a narração da história, foram eles, os ouvintes, tambem vencedores, viveram e sentiram psicologicamente os sucessos do herói.
Realmente, na zona do açúcar em Pernambuco, o "amarelinho" substitui o filho-mais-moço. "O Amarelo, tão vulgar entre os vencidos pelo ancilostomo, hipoêmios comuns no litoral e regioes palúdicas, anteriores as reçõoes sanitárias, substitui ofiIho-
mais-moço, sempre destinado ao papel simpático de vitorioso, salvador e herói"..
No anedotário popular do Nordeste brasileiro encontramos diversas anedotas pornográficas de "amarelinho". "Amarelinhos" vencendo ingleses cheios de saúde, em vigor sexual; casando com filhas de rei, depois de vencer diversas provas; e compro-
vando extrema virilidade. Outra caracteristica do mito brasileiro do "amarelinho" foi assinalada por Gilberto Freyre, que divulgou a respeito curiosa história de triunfo obtido por um "amarelinho" sobre o gigante Nascimento Grande, que possui sua vida cantada em versos pelo trovador João Martins de Athayde. (Ideologia dos poetas populares- Renato Carneiro de Campos - Recife, 1955)
Segundo a definição do ator Matheus Nachtergaele (foto), "João grilo é o brasileiro sem privilégios, sem grana, submetido aos domínios dos ricos, mas muito esperto. Quando você pensa que o está subjugando, ele já está fazendo alguma coisa que você não sabe o que é porque, se soubesse, ficaria louco". João Grilo foi imortalizado no livro do escritor paraibano Ariano Suassuna em 1955, o "Auto da Compadecida", na realidade, uma peça para teatro. Como seriado televisivo, estreou na minissérie da Rede Globo em 1999, adaptado pelo diretor Guel Arraes e a escritora Adriana Falcão. (O Estado de São Paulo - Caderno 2, 29/10/1998).
 
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